sábado, 27 de março de 2010

PAULO EM CORINTO

(PRIMEIRA PARTE)

O texto bíblico do FATO deste número se encontra em 1 Coríntios, capítulos 10 a 13, cujo versículo básicos é: "Mas agora permanecem estes três: a fé, a esperança e o amor, porém o maior destes é o amor (1 Coríntios 13:13)".

I - INTRODUÇÃO

Da cidade de Atenas, centro de cultura, seguiu o Apóstolo Paulo até Corinto, centro de comércio e de mundanidade. Aqui esteve o ilustre missionário e, num fecundo ministério de ano e meio, estabeleceu uma forte igreja evangélica. Contudo era a Capital da Província Proconsular da Acaia, situada no estreito e movimentado istmo de Corinto, ligando o Poliponéso à Grécia. Em Corinto haviam duas baías famosas, que dominavam todo o comércio do norte e do sul, recebendo por mar carregamentos ricos da Europa e da Ásia. Cerca de 400.000 almas eram a sua população, toda cosmopolita. Haviam judeus em bom número, expulsos de Roma pelo Imperador Cláudio.

A primeira carta aos Coríntios foi escrita à Igreja por volta dos anos 56-57 A. D., de Éfeso, tendo como objetivo principal dar resposta a vários problemas que os crentes de Corinto haviam submetido às decisões do apóstolo.

Para maior conhecimento dos assuntos versados por Paulo nesta epístola, damos abaixo um resumido esboço dessa carta, adotado pelo piedoso e erudito Dr. Robertson:

1 - A DIVISÃO DA IGREJA - do capítulo 1:10 e 4:21.

2 - AS PÉSSIMAS PRÁTICAS DOS MEMBROS DA IGREJA - capítulos 5 e 6.

3 - QUESTÕES RELATIVAS AO CASAMENTO - CAPÍTULO 7

4 - CARNES OFERECIDAS AOS ÍDOLOS - capítulos 8 a 10.

5 - ALGUNS ABUSOS NO CULTO PÚBLICO - capítulos 11 a 14, assim divididos:

a) - O toucado de homens e mulheres na Igreja - capítulo 11.1-16.

b) - O comportamento na ocasião da ceia do Senhor - capítulo 11.17-34.

c) O orgulho e a inveja em comparação com os dons brilhantes - capítulos 12 a 13.

d) Erros concernentes à ressurreição, corrigidos, e a doutrina da mesma explicada - capítulo 15.

e) Vários assuntos práticos e pessoais - capítulo 16.1-18.

f) Saudações e despedidas - capítulo 16.18-24.

II - O AMOR (1 CORÍNTIOS 13)

A - A vida sem amor é vazia- Qualquer conquista sem o amor é vã. Faz com que o cobiçado poder da oratória em muitas línguas, embora o que o conseguisse excedesse a todos na elevação do pensamento, na elegãncia do estilo e na eficiência da dicção não passsse de um ruído sem valor algum.

1 - Os dons sem amor não têm valia. Tornam inútil o mais alto poder interpretativo, a penetração enigmática, o conhecimento variado e até a fé que opera maravilhas.

2 - A beneficência sem o amor para nada aproveita. Em vão fará alguém o maior sacrifício a ponto de se despojar das suas riquezas pelos pobres e sofrer o martírio por um princípio, se for inspirado por um falso orgulho, por uma glória pessoal ou pela esperança mal dirigida, ao invés de pelo amor a Deus e aos homens.

B - A vida de amor resplende no espírito e no serviço

1 - Sua caridade é fundamental . Negativamente, inspira clemência para com as falhas de outrem e sofrimento paciente para com as ofensas deles. Positivamente, é plena de bem praticado aos outros.

2 - Seu contentamento é belo, pois não conhece nem a inveja nem o ciúme.

3 - Sua humildade compreende um quadro de virtudes gêmeas: não se gloria de si mesma e nada a pode impelir a isso; não é nunca descortês aos outros e não exige tudo a quem tem direito; domina o mau gênio e na sua benignidade faz todas as concessões possíveis; não se compraz com a tagarelice, mas regozija-se com a proclamação e progresso da verdade; vai ao encontro da dificuldade com paciência, da descrença com amável confiança, do desespero com a esperança, do desastre com a perseverança.

4 - Sua interminabilidade está em contraste palpitante com os dons e graças temporários, a saber: o poder e cumprimento de profecias, o dom de línguas e as verdadeiras formas de linguagem; e o próprio conhecimento que, aqui mesmo na terra, é substituído por outro ainda mais elevado e na eternidade pelo conhecimento mais sublimado possível.

(CONTINUA NO PRÓXIMO NÚMERO)

Texto de ASSIS FERREIRA DA SILvA extra;ido de http://www.folhadoassis.xpg.com.br

sexta-feira, 19 de março de 2010

Comentando as Parábolas de Jesus O Fermento na Massa


Mateus 13.33
33. Disse-lhes, por fim, esta outra parábola. O Reino dos céus é comparado ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha e que faz fermentar toda a massa.

Nesta parábola Jesus nos quer mostrar a força transformadora da Palavra de Deus na vida de todo aquele que crê. Basta um pouquinho de fermento para que o pão seja multiplicado.
Basta um simples gesto de amor, de atenção e de carinho acompanhado da mensagem de Deus para que o coração de uma criatura seja contaminada pelo poder do Criador.
A presença deste fermento é de fundamental importância para que a transformação possa ocorrer. Sem ele, nada pode acontecer.
Como o levedo não pode transformar a farinha na mesma hora em que nela é posto, assim também é o Reino dos Céus: o homem não se pode transformar, de simples e ignorante, em elevado e sábio de uma hora para outra.
As modificações ocorrem de maneira semelhante na vida daqueles que crêem. Uma vez misturado à farinha o fermento começará a agir e a provocar o crescimento da massa.
Com os que recebem a Palavra de Deus dá-se o mesmo. A sua vida se desestabiliza e muda de rumo e de sentido. Nada será como era antes. Uma nova luz se abre ao seu caminho e novas dimensões refazem o sentido de sua vida.
Antes do fermento da mensagem de Deus a vida era insossa, sem sentido, sem esperança, sem futuro, vazia, instintiva e animalizada. Uma vez fermentada um novo colorido alegra e ilumina o viver de cada criatura.
Os ingredientes que antes eram estáticos em si mesmos, uma vez misturados são dominados por uma energia transformadora que vem do alto.
É a força transformadora do Evangelho que irá transformar a vida de cada ser humano. Cada um daqueles que crêem deve se tornar também fermento a serviço do crescimento do Reino dos Céus. “Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo. Se o sal perde o seu sabor, para nada mais serve e pode ser jogado fora para ser pisado “ e se a luz não fornece a sua claridade o mundo continuará nas trevas. Devemos agir como este fermento que possui força transformadora que procede do Pai. Devemos anunciar a Boa Nova de Deus e dar os melhores exemplos, com atos positivos, para aumentar a fé em todas as pessoas que acolhem a Palavra de Deus.
Os fermentos da fé são o anúncio das verdades do evangelho, a vivência do amor fraterno, a prática da solidariedade e da misericórdia com todos aqueles que sofrem, o compromisso permanente com a verdade, com a justiça, com a paz em favor de nossos irmãos, a partilha e a comunhão do pão vivo descido do céu. Fazer ao próximo tudo aquilo que gostaria que ele nos fizesse.
Só quando agimos desta maneira é que Deus toca o coração dos homens para transformar suas vidas. Agindo assim seremos sal da terra, luz do mundo e fermento que transforma vidas.
Pesquisando na internet encontramos no site www.igrejasiao.com/portal/index o interessante estudo a seguir :
Mateus 13:33
Introdução
Jesus através da parábola do fermento nos ensina sobre o poder da contaminação. Assim como o fermento contamina a massa preparando-o para o bolo, assim o reino de Deus dentro de nós; ele nos contamina, nos transformando em novas “massas”, ou seja, novas criaturas.
A parábola
Jesus compara o reino de Deus como o fermento numa massa. Mateus 13.33. Ele começa dizendo que o reino de Deus é semelhante ao fermento que uma mulher escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado. Jesus não explica essa parábola, mesmo porque é muito simples o seu entendimento. Observe os ensinamentos que podemos extrair:
Lição.
O reino dos céus
O reino era algo muito almejado pelos judeus, pois a vida inteira eles estiveram sob o domínio de outros povos, e isso fez com que, aguardassem desde os primórdios de Moisés um reino temporal político e soberano. “Reino” na verdade significa domínio e poder, soberania. Mas, o reino o qual, Jesus veio implantar na terra, não era um reino como os judeus esperavam, ou seja, um reino físico, político e geográfico, mas um reino de natureza espiritual, que aconteceria dentro do coração das vidas, das pessoas. É preciso que observemos que, sem Jesus na vida, o homem é guiado e conduzido pelas suas vontades. O “eu” é o nosso soberano; o centro de tudo, mas depois que entendemos a vontade de Deus, o “eu” deixa de ser o “senhor” para dar lugar ao Senhor Jesus. O reino de Deus, portanto não acontece num pedaço de terra, não se trata de um espaço físico; se existe um lugar, podemos dizer que este lugar é o coração das pessoas. Na oração ensinada por Jesus, ele pede que oremos pedindo: “venha nós o teu reino” – Mateus 6:9-15. Mas, como acontece o reino de Deus? O fermento simboliza neste contexto o evangelho de Jesus, ou seja, a sua palavra. Por isso, assim como o fermento tem o poder de contaminar uma massa inteira e torná-la volumosa, assim o evangelho na vida de uma pessoa - tem o poder de contagiar toda a estrutura humana; transformá-la em uma natureza nova. Mas, como é isso na prática? Isso funciona assim: todo o nosso comportamento, nosso estilo de vida o nosso jeito de pensar, não mais obedecem ao instinto do nosso “eu” – mas, obedecem aquilo que os evangelhos nos ensinam. Nas bem-aventuranças – Mateus 5.1-48 e 6.1-34 é possível se ter uma idéia do padrão de vida ensinado por Jesus. Nesse sermão Jesus, nos ensina amar até mesmo os nossos inimigos, orar pelos que nos perseguem. E nos ensina a sermos pacificadores, e não sermos ansiosos, etc.
A medida certa!
Ninguém que se propõe a fazer um bolo o faz de qualquer jeito sem saber ao certo o tamanho do pão e do bolo. O padeiro já sabe a medida certa de farinha, o contrário ele pode estragar a massa. Todos que lidam com massa de pão e de bolo, sabem qual a medida exata de farinha e de fermento; não pode ser mais e nem menos, pois o objetivo pode não ser alcançado. Por isso as três medidas de farinha mencionados na parábola, podem ser interpretadas da seguinte maneira:
Ingredientes
1)A primeira medida de farinha, é a nossa abertura para Jesus agir dentro de nós. Sem abertura, sem uma verdadeira entrega, não pode acontecer à levedura.
2)A segunda medida de farinha, é a nossa vida de oração. Aprenda a ter uma vida de intimidade com Deus. Se você não orar, você pode morrer espiritualmente. A oração sustenta a vida com Deus assim como o fermento sustenta a massa. Você pode orar em casa, no seu quarto; como pode orar com os demais irmãos na igreja, mas nunca deixe de orar. Orar é experiência com Deus e não um ato de devoção.
3)A terceira medida de farinha, é nossa dedicação ao estudo da Palavra de Deus. Não basta dizer sim a Deus, nem tão pouco orar, isso muitas pessoas fazem. As medidas de farinha só terão seus efeitos se a terceira medida for colocada na massa. Estudar a Palavra de Deus.
Importante
Você pode seguir o estudo do jeito que está aqui no programa. Mas fique a vontade para enfatizar aspectos que foram abordados. Por exemplo, quantas coisas podem ser exploradas nas “bem-aventuranças” ou nas medidas de farinha. Você pode enriquecer o estudo trazendo outros textos para explicar a importância da

sábado, 6 de março de 2010

Comentando as Parábolas de Jesus O Grão de Mostarda

Mateus 13.31,32

31. Em seguida, propôs-lhes outra parábola: O Reino dos céus é comparado a um grão de mostarda que um homem toma e semeia em seu campo.
32. É esta a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, torna-se um arbusto maior que todas as hortaliças, de sorte que os pássaros vêm aninhar-se em seus ramos.

Jesus nos ajuda a distinguir nesta parábola as verdadeiras dimensões das coisas e a sabedoria das escolhas inteligentes.
Neste mundo as pessoas se deixam levar pela grandeza e suntuosidade das coisas, dos fatos, dos acontecimentos, dos haveres.
A relevância está colocada no tamanho do espetáculo. Mais vale quem tem o maior carro, a mansão mais suntuoso, a aparência mais exuberante, os poderes sem limites. Mega show, mega fortuna, mega salário, mega sena.
Jesus contrapõe a esta mania das grandezas o valor aparentemente insignificante das pequeninas coisas; de uma semente de mostarda. É próprio das coisas do alto o apreço pelas coisas simples, pelos gestos misericordiosos, pela humildade, pelas pequeninas escolhas. Vim para que todos tenham vida, principalmente os pobres, os simples, pelos humildes, pelas criancinhas, pelos puros de coração, pelos misericordiosos, pelos pacificadores, pelos pobres de espírito porque estes são os filhos diletos do Pai. Vim para libertar os cativos, curar os doentes e proclamar o ano da graça de Deus.
Assim nos adverte para não nos deixarmos empolgar vaidosamente com as coisas exuberantes, com as honrarias dos homens, com os haveres da terra. É no extremo oposto que poderemos encontrar o dedo de Deus nos apontando para o infinito.
Ele nos convida a tomar a insignificante sementinha de mostarda e a semear em nosso campo, que é nosso coração e permanecer confiantes porque ela vai se tornar logo, logo, um arbusto grandioso e generoso onde os pássaros vão encontrar o seu abrigo.
Afeiçoar às coisas do alto, onde as traças não destroem e nem a ferrugem consome. Afeiçoar às pequeninas coisas, aos gestos simples e generosos, à solidariedade, à partilha, ao bem-querer, à mansidão e à ternura porque são estas as coisas que mais agradam a Deus.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O SENTIDO DA PÁSCOA

                
Os descendentes de Abraão, povo escolhido por Deus para ter uma vida conforme sua vontade e seus ensinamentos, festejavam a Páscoa, em comemoração de sua libertação do cativeiro do Egito.
O líder deste povo era sempre um ungido de Deus e havia também profetas orientando esta fé e os seus ensinamentos eram registrados em pergaminhos, formando, com as Tábuas da Lei, que Deus entregou a Moisés no Monte Sinai, um tesouro sagrado reunido na ARCA DA ALIANÇA, guardada e reverenciada em lugar especial no templo.
Deus, pelos profetas, anunciou a seu povo a vinda de um Salvador, esperado por longos tempos.
Os profetas indicaram a cidade, Belém, na qual deveria nascer o Messias e informavam ainda que deveria pertencer à descendência de Davi.
Cumprindo-se as Escrituras, Jesus veio ao mundo.
Este Jesus, o Filho de Deus vivo, percorreu todas as regiões da Palestina, constituiu discípulos, fez muitos milagres e fez milhares de seguidores. A estes Ele instruiu explicando as passagens mais difíceis das Escrituras, esclarecendo a vontade do Pai e entregando-se, ao término de sua missão, ao sacrifício, com morte na cruz, em remissão dos pecados de toda a humanidade.
Com seu precioso sangue derramado no calvário fez uma Nova Aliança.
A nova libertação conduzida por Jesus foi instituída na SANTA CEIA. Jesus escolheu um lugar e um momento para celebrar com seus discípulos este memorial de nossa fé. Foi no Cenáculo que Ele instituiu a EUCARISTIA, a nova páscoa, pedindo que isto fosse feito para celebrar a Sua memória.
    Quando celebramos a Páscoa, estamos cumprindo este pedido de Jesus. Estamos relembando sua vida, paixão e morte pela salvação da humanidade. 
               

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Meditando nas Parábolas de Jesus A PEROLA PRECIOSA

45. O Reino dos céus é ainda semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas.
46. Encontrando uma de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra.


Nesta parábola Jesus, como profundo conhecedor da natureza humana, evidencia uma fraqueza presente na maioria das pessoas, principalmente no povo judeu: a ambição.Mas realça que devemos ambicionar aquilo que verdadeiramente vale mais ou é mais precioso.
É próprio do ser humano em geral buscar sempre o melhor para si. Se possui uma casa modesta, sonha em adquirir uma outra melhor, localizada num bairro considerado mais chic; se tem um carro razoável pensa em adquirir um modelo do ano e mais sofisticado; se possui uma bicicleta, sonha em ter uma moto, se já tem a moto, pensa em ter o carro do ano, se já possui um carro do ano, pensa num barco para velejar nas férias e assim indefinidamente. O HOMEM E A MULHER ESTÃO SEMPRE AMBICIONANDO POR ALGO MELHOR QUE AINDA NÃO POSSUEM.
Aqui Jesus realça a ambição do negociante que procura pérolas preciosas. Como especialista em jóias o negociante sabe distinguir o que é ou não é mais precioso e Jesus afirma que ele tendo encontrado uma pérola de grande valor vai e vende tudo o que possui para poder adquirir o que vale mais e assim tornar-se detentor de um tesouro de valor incomensurável.
Esta pérola preciosa tão ambicionada por toda criatura é o que Jesus está oferecendo para todos nós. Ele nos convida e abandonar tudo o mais para ficarmos só com ela, pois seu valor supera a tudo o mais que possa existir de precioso sobre a face da terra. Tudo mais perde sentido diante dela. Este tesouro tão ambicionado é o Reino dos Céus e para possui-lo devemos nos despojar de tudo o mais que nos envolve e nos domina para ficar só com este tesouro pelo qual paga a pena viver e por ser o único capaz de dar um sentido verdadeiro e eterno à nossa vida.
Ele nos convida nesta parábola a agir com a ambição e a sabedoria do negociante de pedras preciosas para possuir este tesouro de felicidade eterna que nos é oferecido por Deus.
Em outra passagem da Bíblia, no encontro com o jovem rico Jesus mostra que só faltava a ele possuir esta ambição para entrar na vida eterna. Vai, vende tudo o que possui e distribua com os pobres e me siga e terás um novo tesouro no céu.
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IMPORTANTE - Este texto ainda está em fase de elaboração. Contamos com as colaborações e sugestões dos leitores de nosso blog para aprimorarmos a sua redação final. Mande-nos as suas sugestões. Grato Augusto Ferreira Neto

domingo, 14 de fevereiro de 2010

PAULO E OS PRESBÍTEROS

(PRIMEIRA PARTE)

O texto bíblico do FATO deste número se encontra no Livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 20, versículos 17 a 38, cujos versículos básicos são: "Não me esquIvei de vos anunciar cousa alguma que era proveitosa...testificando tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus".

I - INTRODUÇÃO

Depois do tumulto acontecido em Éfeso por Demétrio, o apóstolo Paulo resolveu sair da cidade, onde havia trabalhado por uns três anos, e visitar de novo as Igrejas de Macedônia e Grécia. Durou cerca de dez anos este circuíto itinerante de Paulo, tendo ficado ainda uns três meses em Corinto, sede de uma vigorosa congregação. Quis o apóstolo ir a Jerusalém, a fim de levar aos cristãos pobres dali as ofertas recolhidas por ele entre as Igrejas gentílicas.

Encerrando assim, sua terceira excursão missionária, Paulo seguiu viagem. Tendo chegado a Mileto, célebre cidade da Ásia Menor, a umas 7 ou 8 léguas distantes do sul de Éfeso, porto na embocadura do Rio Meandro, daí mandou vir à sua presença os presbíteros da querida Igreja de Éfeso. O navio em que viajava o apóstolo deteve-se neste porto alguns dias, e assim pôde ele rever os velhos amigos e oficiais e falar-lhes com toda a alma sobre seus planos futuros, sua ida à cidade santa e dar-lhes a sua despedida muito fraternal. Paulo quer estar em Jerusalém por ocasião da festa de Pentecoste, que caía, naquele ano, em maio (Atos 20.16).

Nesta viagem, acompanharam o apóstolo, de Corinto, cinco irmãos. Lucas reuniu-se à caravana em Filipos. Mais dois irmãos se juntavam à comitiva, provavelmente em Trôade (Atos 20:1-6, 13-16).

O encontro de Paulo com os presbíteros de Éfeso é uma das páginas mais comoventes da história apostólica. A ternura com que conversaram, os sábios conselhos dados pelo grande missionário a eles, a persuasão e a personalidade que dominava as palavras paulinas, aqui, tudo é um conjunto de preciosas lições.

II - UMA RETROSPECTIVA

Nos versículos 17 a 21 Paulo, presentes os presbíteros de Éfeso, fez a todos umas declarações muito nítidas e muito incisivas. Abriu-lhes a alma, de par em par, como excelente guia e cura de ovelhas do Salvador.

Era uma revisão conscienciosa do passado. Apelou para o testemunho de todos. É um grande conforto poderem os pastores falar assim às suas ovelhas. Paulo disse que sua vida entre eles tinha sido franca e leal. Sabiam o seu trabalho, qual fora e como fora executado no meio de muitas aflições. Ele mesmo procurara sustentar-se com o trabalho diário, no ganho de seu pão. Fora sempre humilde e desinteressado. Realizara com fidelidade o seu sustento pastoral, nunca ocultando à igreja coisa alguma da doutrina e da fé que ela devia conhecer; e isso fizera publicamente e não às ocultas, de casa em casa, por todos os meios. Seus sermões giraram não em torno da filosofia ou teses de curiosidade, mas em torno das verdades básicas: arrependimento e fé. Não havia omitido absolutamente nada do Cristianismo.

(Continua no Próximo Número)

Extraído de FOLHA DO ASSIS Reflexão de Assis Ferreira da Silva

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Zilda Arns II

Fundadora da Pastoral da Criança, a médica Zilda Arns dedicou
a existência a minorar o sofrimento dos despossuídos e a evitar
o desperdício da vida. Até o último minuto

Montagem sobre fotos de Rodolfo Buhrer e Yhony Belizaire/AFP

A ÚLTIMA PREGAÇÃO
Escombros da Igreja Sacré Coeur de Tugeau, em cuja casa paroquial
Zilda Arns proferiu uma palestra antes de morrer

Nascer mulher em Forquilhinha, Santa Catarina, nas primeiras décadas do século passado significava ser, no futuro, professora ou religiosa. Zilda Arns, 13ª filha de uma família descendente de alemães, contrariou esse destino por amor. Aos 21 anos de idade, apaixonou-se pelo futuro marido, o então marceneiro Aloysio Neumann, que, chamado para um conserto na casa dos Arns, encantou-se com a jovem que viu na sala tocando piano. Foi também em nome de outra forma de amor, aquele mais sublime que se devota ao próximo, que Zilda enfrentou a resistência paterna e insistiu em estudar medicina, num tempo em que ser doutor era coisa de homem. O apoio do irmão, o hoje arcebispo emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, foi fundamental para dobrar a família. "Ele havia estudado na Sorbonne e convenceu o pai de que estavam começando a formar mulheres médicas lá fora", conta Rogerio Arns Neumann, de 39 anos, um dos seis filhos que Zilda teve com Neumann, morto em um acidente no mar aos 46 anos de idade. Desde que alterou o curso do próprio destino, Zilda Arns não parou mais de mudar o dos outros, a começar por aqueles que a miséria e a ignorância haviam fadado a ter curta duração.

Nos anos 80, por sugestão de dom Paulo, a pediatra e sanitarista aceitou formular um projeto para disseminar o uso do recém-criado soro caseiro, aproveitando a imensa influência da Igreja Católica entre os pobres, e com isso combater o flagelo da mortalidade infantil. Assim nasceu a Pastoral da Criança, um projeto tão singelo na sua concepção quanto na execução. Consistia em identificar, nas paróquias e comunidades católicas, lideranças que treinariam voluntárias para ensinar mães pobres a adotar o soro. Essa e outras medidas igualmente simples ajudariam a evitar que seus filhos morressem de diarreia, desidratação, contaminação e outros males fáceis de vencer com quase nada de dinheiro e um pouco de informação. O local escolhido para iniciar o trabalho foi a pequena Florestópolis, no Paraná. Lá, a mortalidade infantil era tão alta que, no único cemitério existente, o número de cruzes de tamanho pequeno, que sinalizavam os túmulos de crianças, superava em muito o de cruzes grandes. Depois do trabalho da Pastoral, a taxa de mortalidade baixou de 127 óbitos em cada 1 000 crianças nascidas vivas para 28. A partir daí, o programa foi sendo exponencialmente replicado até alcançar 72% do território nacional, além de vinte países na América Latina, África e Ásia.

Ao longo dos 25 anos em que esteve à frente da Pastoral da Criança, Zilda Arns visitou os cantos mais remotos do Brasil. Aterrissou em um sem-fim de aeroportos, fez travessias em barcos precários e sacolejou de ônibus por estradas que eram mais buraco do que chão. Seus olhinhos azuis sempre radiantes se acostumaram a ver a pobreza extrema e seu corpo forte se habituou à contenção e à precariedade. Três meses atrás, ela esteve no Timor Leste, um dos países em que a Pastoral fincou suas bases e onde auxilia cerca de 6 000 crianças. Lá, como quase sempre, faltava quase tudo, incluindo água corrente na casa em que Zilda se hospedou com Rúbia Pappini, voluntária da Pastoral há vinte anos. "Para lavar os cabelos, mergulhávamos a cabeça debaixo da pia e reaproveitávamos a água que escorria para tomar banho de caneca", lembra Rúbia.

Luiz Costa/Reuters e Antonio Milena

DESPEDIDA DA MISSIONÁRIA
O velório de Zilda Arns em Curitiba (no centro, o arcebispo
de Salvador, dom Geraldo Majella): seu trabalho mudou
o destino de milhões de crianças

Na noite do último domingo, Zilda Arns interrompeu as férias de família para começar mais um pinga-pinga por aeroportos. De Curitiba, onde morava, fez escala em São Paulo e, da capital paulista, seguiu para Miami, nos Estados Unidos, onde pegou outro avião que a levou até o Haiti. Chegou a Porto Príncipe ao meio-dia da segunda-feira. No dia seguinte, ela faria uma palestra sobre o trabalho da Pastoral para um grupo de religiosos haitianos, num edifício de três andares em frente à igreja Sacré Coeur de Tugeau. Foi ao fim dessa palestra que se deu o terremoto. Quem descreve o ocorrido é o tenente Paulo Cézar Acebedo Strapazzon, que havia sido convocado para traduzir para o francês a fala da médica, esperada no 3º andar do prédio por 120 sacerdotes. Zilda chegou com quarenta minutos de atraso por causa de um engarrafamento no trânsito. A tradução acabou sendo feita por um civil haitiano que viera com o tenente e falava o crioulo, dialeto local, de compreensão mais fácil para a plateia.

Faltavam quinze minutos para as 5 horas quando a médica terminou sua palestra. A plateia deixou a sala, mas alguns padres se aproximaram de Zilda para fazer-lhe perguntas. Nesse momento, o tenente perguntou à médica se ainda poderia ser útil. Ela respondeu que mais tarde precisaria de ajuda para traduzir alguns manuais, o militar aquiesceu e os dois se despediram. Strapazzon desceu os lances de escada até o térreo, entrou em seu jipe, deu a partida e então viu todos os prédios desabar ao seu redor. Os três andares do prédio transformaram- se em um amontoado de pedras e vigas de metal. Zilda Arns morreu na hora, atingida na cabeça por uma viga do teto que desabou. Outros quinze religiosos que estavam na sala morreram também.

O corpo da médica chegou na sexta-feira a Curitiba, onde foi transportado em carro aberto – e aplaudido por pedestres que paravam à sua passagem. Zilda Arns tinha 75 anos, um terço dos quais consagrados aos despossuídos e à tarefa de celebrar o caráter sagrado da vida – o que ela fez em cada uma das infinitas vezes em que ajudou a evitar seu desperdício. Com gestos miúdos, persistência de formiga e fé colossal, construiu uma epopeia silenciosa que mudou a face do Brasil e o destino de milhões de pessoas. Sua vida teve a grandeza da de uma santa – e à sua obra pode-se dar o nome de milagre.

Simples, barato e eficiente

E. Queiroga/Lumiar

Combate à desnutrição
Voluntárias preparam a multimistura

O extraordinário sucesso do programa criado por Zilda Arns, em conjunto com o arcebispo de Salvador, dom Geraldo Majella, é inversamente proporcional à complexidade de seus métodos. O trabalho da Pastoral da Criança, pelo qual ela recebeu uma indicação ao Prêmio Nobel, se baseia na adoção, por parte das mães, de medidas simples, mas que podem salvar a vida de seus filhos. A aplicação do soro caseiro (duas colheres de sopa de açúcar e uma de sal dissolvidas em 1 litro de água limpa) em crianças desidratadas e a ingestão da multimistura (farinha que aproveita folhas e grãos) para combater a desnutrição, por exemplo, são métodos de eficácia comprovada há muito tempo. O mérito da Pastoral foi fazer com que chegassem a quem precisa. Para isso, o programa se vale do trabalho voluntário – que elimina a logística e os gastos envolvidos em pagamentos e outras burocracias – e de uma metodologia antiassistencialist a, que ensina as mães a cuidar melhor do desenvolvimento dos filhos em vez de torná-las dependentes de uma organização que o faça. O baixo custo da ação é outro dado surpreendente. O gasto mensal com cada criança da Pastoral é de apenas 1,70 real. A representante do Unicef no Brasil, Marie-Pierre Poirier, avalia: "O Brasil foi um dos países que tiveram maior redução na mortalidade infantil nos últimos vinte anos. O trabalho da Pastoral da Criança foi fundamental para tanto".